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Enya - A Estrela Invisível


Data: Janeiro 2006
Fonte: Revista - Australian Women's Weekly
Autor: William Langley

Tradução por: Simone
Artigo fornecido por
:
Dom's Enya Shores Forum
Fotos fornecidas por
:
Lucia's Out of the Blue Site


Seu nome verdadeiro é Eithne Ní Bhraonáin, uma de nove filhos nascida
de um casal que iniciou um bar na Irlanda. Hoje Enya mora em um
castelo e tem gigantescas vendas de disco, mesmo assim é reservada,
quase reclusa. William Langley encontra o enigma por trás da voz.

Durante a árdua longa espera entre um album e outro, a cantora Irlandesa
desaparece, não somente do olhar do público, mas também do radar da
vida moderna. Um minuto ela está lá, e no outro ela já se foi. Como ela
consegue
? Para onde ela vai? Qual é o segredo da esquiva, enigmática
mulher com sucesso fenomenal?

Em 17 anos, Enya tem vendido mais de 65 milhões de cópias - uma
conquista que a coloca ao lado de Madonna, Whitney Houston e Cher.
Os fãs expressam que encontram na música dela algo que a aproxima
do poder de cura, e o místico, quase espiritual tom de suas canções
determinaram a atmosfera da primeira parte da trilogia de O Senhor
dos Anéis. Apesar de tudo, ela permanece a mais branca das telas de
pinturas. A maioria de nós não reconheceria sua face em um selo postal
e quando ela caminha pelas ruas de Dublin - uma cidade bem populada
com mentes curiosas - poucos param para pensar quem ela é.

Ninguém parece saber onde Enya está. Marcando uma entrevista para
encontrá-la na Irlanda, e então em Londres, me encontro aguardando
ela num luxuoso hotel de Paris. Ela emergirá através de uma névoa
celta em uma planta entrelaçante? Falar sem ser vista das profundidades
de um eco misterioso? Ou não aparecer?

De repente, ela está na sala e, ao invés do antecipado frio, há um gentil
cumprimento de mão e uma doce voz de Donegal. Aos 44, Enya parece
muito bem, vestida em seu habitual preto com um crucifixo vermelho.
Beleza desse estilo não pode ser escondida. Então por que vemos tão
pouco dela?

"Eu sou uma pessoa muito tímida", ela diz, se sentando em uma poltrona.
"Se eu apareço, é por causa da música, não porque quero ser vista. Não
sou reclusa. Gosto de sair, mas não gosto do brilho envolvido."

Ela quase não é vista no mundo das festas do show-business, clubes ou
aqueles bingos da indústria da música que direcionam outras estrelas.
Não faz turnês e sua presença no palco é muito rara.

Nunca casou, não tem filhos e o relato de poss
íveis relacionamentos
românticos é incompleto, para não dizer o de menos. Atualmente, ela
mora sozinha no belo castelo de 165 anos próximo ao mar em Killiney,
um distrito de Dublin - local onde também vive Bono e The Edge do U2.
Um chofer a traz e a leva através dos altos portões, mas a única viagem
que ela seriamente parece fazer é para Sydney, Austrália, onde sua
adorada irmã, Olive, mora.

Sabido de seu amor por conhecimento de tradições, natureza e fábulas,
não é difícil imaginar Enya como uma Rapunzel moderna, aguardando
solitária em sua torre por um lindo príncipe chamar por ela. De qualquer
modo, ela misteriosamente parece nem um pouco preocupada sobre
as perspectivas dessa chegada. Insistindo que não há nada em sua
vida que gostaria que fosse diferente. "Sou muito feliz como eu sou.
Sei que fiz sacrifícios no início de minha carreira e devido ao fato que
quando estou trabalhando, sou muito concentrada e não é nada fácil,
não teria como dizer para alguém 'Te encontro mais tarde'. Aprendi
que seria necessário ser dedicada o suficiente para colocar o trabalho
como prioridade. E ao mesmo tempo, foi maravilhoso sentir que fui
bem-sucedida em fazer o que amo."

Agora que o sucesso está estabelecido, será que Enya, com sua gentileza
e doçura natural, não deseja por uma vida mais doméstica
? Ela para
por um momento refletindo. "Não naquele sentido", ela diz, "Após THE
MEMORY OF TREES (em 1995), pensei, agora mesmo preciso de casa."

Quando deixei a escola, tinha uma lista de prioridades incluindo filhos e
casamento. Assim foi como, suponho, como mulher, você é criada para
pensar. Contudo, conforme fui crescendo, contei a mim mesma que se
acontecer, acontecerá e estarei bem, mas se não, estarei bem também."

ENYA NASCEU COMO Eithne Ní Bhraonáin, na vila Gweedore onde o Gaélico
é falado, no noroeste da Irlanda, uma de nove filhos de pais que amam
música e mantém um bar local. Nessa casa lotada de pessoas, ela era a
silenciosa. "Quando eu fui para o internato é que ouvi minha voz interior
pela primeira vez", ela conta. "A escola dirigida pelas freiras Loreto era
severa, porém me deu um senso de independência que estava faltando
em mim, e apesar que foi difícil em alguns sentidos, me sinto grata."

Sobre os cuidados de suas irmãs, ela aperfeiçoou seu Inglês, se tornou
uma grande pianista e basicamente preparada para se juntar ao grupo
folk-rock Clannad, formado de membros de sua extensa família. A banda
foi administrada por Nicky Ryan, na época um jovem ambicioso de Dublin,
e enquanto conquistou considerável sucesso na Irlanda e outros locais,
Nicky acompanhado de sua esposa poetisa, Roma, começou a procurar
por maiores projetos. Os Ryans perceberam algo especial na voz e
presença da Enya - algo que complementava suas próprias noções
da música que eles ansiavam por tornar realidade.

Quando romperam com Clannad no período de 1980, eles convenceram
Enya contra as objeções de sua família em ela ir com eles. Daí surgiu
a brilhante e criativa parceria, com os três morando e trabalhando juntos
ao norte de Dublin. Enya compondo as canções, Nicky fazendo os arranjos
e Roma escrevendo as letras. "Eu adorava conversar sobre a música com
Nicky", conta Enya. "As influências dele vinham dos Beatles, Beach Boys,
e aí ele teve a idéia sobre multiplicar minha voz e pintar paisagems com
a música. Roma tinha conhecimento sobre mitologia irlandesa, contava
histórias, escrevia poesias e demonstrava esse sentimento especial por
letras. E minha formação veio dos clássicos."

Foi de fato, uma potente junção. O objetivo do trio era fundir estilo
tradicional com modernas técnicas de estúdio de sintetizadores e
e múltiplos vocais. A primeira grande chance surgiu quando o produtor
de filmes David Puttnam, contratou Enya para criar música para seu
filme de 1984 The Frog Prince. Com o album Watermark (1988) que
incluiu o single sucesso Orinoco Flow, Enya foi apresentada ao mundo.

Dentre os mais devotos fãs da Enya, há aqueles que contam para ela
que suas canções os ajudaram a se recuperarem de doenças e de altos
e baixos de relacionamentos. Após o ataque terrorista em Nova York
em setembro de 2001, várias estações de TV nos EUA usaram a canção
"Only Time" como trilha sonora para as reportagens. Então, será que
ela está no mundo do entretenimento ou da assistência às pessoas?

Enya diz que ela é "espiritual mas não religiosa" e que, apesar que
muitas pessoas acham que há influências de devoções em sua música,
ela não está tentando escrever hinos.

"Sentar e escrever música faz você pensar muito sobre sua própria vida.",
ela fala. "Quem é você? Você mudaria alguma coisa sobre si mesmo? É
disso que a música surge. É como ter um espelho na sua frente, olhando
pra você mesmo e se questionando."

Ela é uma notável perfeccionista, passando meses no estúdio, re-fazendo
quantas vezes for necessário, e como consequencia, os fãs da Enya tem
que esperar literalmente uma eternidade por cada novo album. O mais
recente, Amarantine, que veio cinco anos após A Day without Rain, tem
canções em uma língua completamente nova criada por Roma Ryan.
"Tivemos a idéia depois que fiz as canções para O Senhor dos Anéis
em Élfico", diz Enya. "Já cantei em Gaélico, Latim e Japonês, então
pensamos, vamos tentar algo completamente novo."

Sucesso tem, segundo se diz, feito Enya a terceira mulher mais rica na
Irlanda, sua fortuma está estimada em mais de 100 milhões. Seis anos
atrás, ela gastou uma fatia dessa fortuna no castelo victoriano, 10 quartos,
requintado, em dois hectares e meio de jardins com árvores sobre a baía
de Killiney. Construído em 1840, o castelo tinha sido destruido em parte
por causa de um incêndio em 1920.

Enya fala sobre a adorável "casa que sempre prometi pra mim mesma" e
aqueles que tem visitado a propriedade - chamada de Ayesha, nome da
Rainha da Morte no romance "She" (Ela) escrito por H. Rider Haggard -
falam impressionados sobre o esplêndor do castelo.

"Eu tinha muitas idéias sobre o que eu queria criar", ela conta. "Tinha
que ser algo meu e não queria que parecesse um museu. O que procurei
e pensei foi uma atmosfera romântica onde poderia me sentir em casa.
Sinto que consegui. Amo minha casa. Tenho amigos por perto. Cuido
para morar no castelo, não para trabalhar nele."

O castelo, contudo, não tem sido livre de problemas. No início do ano
passado, um intruso obcecado conseguiu ultrapassar elaborados sistemas
de segurança, entrou e chegou a amarrar uma empregada numa tentativa
de confrontar a cantora. Enya se trancou numa sala até a polícia chegar.

"Eu às vezes sou questionada sobre os maiores e pormenores
de ser celebridade", Enya diz com um suspiro, "e para mim, o maior
dos maiores é ser bem-sucedida naquilo que você ama fazer. E os
pormenores, infelizmente, incluem ter que viver com segurança e
consciente que você pode ser invadida."

Seus grandes olhos viram para baixo. A vulnerabilidade da Enya é
sentida e seu contragosto por celebridade - ocasionalmente zoado
como efeito do New Age - parece não somente convincente, como
também sensato.

"Eu gosto das pessoas", ela menciona. "Tenho muitos amigos, mas eu
posso somente ser quem eu sou." E então levanta e se vai, deixando
uma única questão no ar: quem é ela
?

 


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